Karla Reis

Karla Reis

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Armadura emocional


Faz tempo que estou com uma ansiedade doentia pra escrever. Já pensei em tudo. Eu não sei ao certo sobre o que eu quero falar. Tenho medo de escrever sobre algo ou alguém e intensificar demais, porque depois eu acabo acreditando naquilo que escrevi. Não que isso seja ruim, mas as vezes é como mentir pra eu mesma. Acabo sustentando uma mentira quando escrevo. Isso não seria tão ruim se eu tivesse a garantia que a verdade não virá à tona depois. Quem é que garante que a pessoa por quem eu sou perdidamente apaixonada nos meus textos, é só alguém que mexeu um pouquinho com a minha carência mas que logo vai embora? Basear-se em como eu quero que as coisas sejam sempre me traz dor de cabeça. Mas quando eu vejo, já me acomodei com essa ideia...

Por exemplo: eu achava que ele tinha vindo pra ficar dessa vez. Queria isso e tapava os ouvidos pra qualquer um que dissesse o contrário. Era bom, sabe? No fundo, toda aquela incerteza era o que me fazia persistir naquilo que eu sabia que não sairia como o planejado, e que acabaria me fazendo chorar no fim das contas. Mas eu não ligava. Ele se fazia tão bom pra mim que eu comecei a deixar de canto a preocupação que deveria ter comigo. Eu simplesmente me deixei levar e quando percebi estava perdida; Só. Aquela sensação de vazio no estômago, ânsia que não passava. Foi então que eu percebi que isso acontece geralmente com alucinados que veem a perfeição em alguém que apenas o trata bem. É clichê, é enjoativo e todos já estão cansados de ouvir, mas precisamos parar de ver só as qualidades de quem a gente gosta. O ato de se apaixonar por alguém deve ir além de ver um rosto bonito e uma mente brilhante. Ninguém é perfeito. Quando se está apaixonado, deve haver tolerância. Todos têm defeitos e ninguém deve ser condenado por isso. 

Mas aí, depois de ter passado por toda essa embriaguez e ressaca emocional, me dei conta de quê menos da metade das coisas que eu fiz valeram a pena. E olha só que engraçado: acordei pra vida só depois de ter conhecido outra pessoa. Pareço viver num ciclo incessantemente cansativo. Talvez isso seja lei da vida, tão natural quanto a morte. Fato é que estou me preenchendo novamente. Essa "nova pessoa" está me fazendo olhar pra um eu dentro de mim que nem sei se conhecia. Sabe aquela história de quê todo soldado, debaixo da armadura, possui um coração? É exatamente assim. Eu também preciso de atenção. Não, não é carência (talvez um pouco); É mais o amor próprio se apresentando de terno e gravata; Mostrando que, pr'eu gostar de alguém, é preciso que gostem de mim também. Todo mundo precisa de atenção e nossos limites não devem ser esgotados à toa. Certos sacrifícios devem ser feitos única e exclusivamente por nós.

E sabe de uma coisa? Essa pessoa continua aqui. Não preciso de "para sempre" nem nada do tipo pra saber que ela estará ao meu lado quando eu precisar. Não precisei de máscara nem maquiagem pra fazê-la começar a gostar de mim. Apenas estou sendo eu. Faço minhas molecagens quando quero, rio alto sempre que dá vontade. Dou a mão, faço cafuné, mordo... E o melhor de tudo isso é ver que essa pessoa suporta e aceitas todas as minhas manias porquê gosta de mim pelo que eu sou.

Então, amigo, dê valor para as pessoas que riem com você, não de você. Não tente ver o que não existe, não se esforce pra ser visto pelo que não é. Você não precisa disso e, em algum lugar, existe alguém que vai valorizar o que há escondido debaixo de toda essa armadura estilo Iron Man. Portanto, use-a apenas com quem sabe que não vale a pena. Caso contrário, seja você. Independente de hora e lugar. Não agradará à todo mundo — o que seria humanamente impossível — mas é um bom começo pra quem está atrás de ser feliz.

- Karla Reis (@karlarreis)

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