Eu odeio toda essa coisa de ser responsável. Esse vai-e-vem rotineiro cheio de coisas pra fazer e que não podem ficar pra depois. É assim que eu acabo me deixando em último plano. O pior de tudo, é que eu me acostumei a ser assim. Meu lado perfeccionista é o primeiro a aparecer quando tem alguma coisa fora do lugar. Não falo de paranóia, aí já é demais. Falo da necessidade de ter alguém pra dizer o quanto sou boa em alguma coisa que faço... Por isso eu sempre tenho algo pra fazer. E não gosto de desistir.
Desistência sempre foi uma palavra que me deu medo. Quem desiste se julga incapaz. Eu sei que nunca serei boa em tudo, por isso algumas vezes eu nem arrisco. Tentar é outra coisa que dá medo. E se eu não chegar no fim? E se ficar “meia-boca”? Não, toda essa ideia me atormenta. Deve ser por isso que as vezes eu me sinta assim, tão sozinha. Cativo e começo a cuidar de alguém e não vou até o fim. De repente a pessoa escapa e eu vejo que não dei conta de tamanha responsabilidade. As vezes parece que eu poderia ter feito mais, ter me esforçado mais... Mas não dá. É difícil, mas é preciso aceitar o fato de quê todo mundo falha vez ou outra.
E agora é preciso ter “jogo de cintura”. É preciso ser inteligente pra entender que tudo tem limite e eu não devo me cobrar tanto. As vezes não dá. Uma pessoa muito querida me disse uma vez que “ainda há muita água pra rolar debaixo da ponte”; E eu estou começando a concordar. Não posso achar que tudo depende de mim e quê as coisas fluirão bem somente se eu fizer algo. Tá na hora de deixar que façam algo por mim. Que se importem e sintam minha falta quando eu resolver desaparecer um pouco. Que percebam que eu não estou bem quando recuso um convite pra sair com os amigos. Que saibam que eu também valho alguma coisa no meio dessa porra toda.
Pois é... Talvez seja um pouco parecido com ser o Homem-de-lata: ele não tem coração, mas nada o impede de saber quando alguém gosta dele (ou apenas o quer bem).
- Karla Reis.
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