Karla Reis

Karla Reis

terça-feira, 24 de abril de 2012

Des(abafo)


Sempre ouvi todo esse papo de quê, quando se está triste, escrever é o melhor remédio. Nunca levei tão a sério, afinal. Mas olha... Tá doendo tanto que chorar deixou de ser uma saída. Tentei conversar, cantar... Nada! Nem os livros me distraem mais. Apenas o vazio que carrego no estômago há alguns dias sabe do que eu tô falando. É uma espécie de dor nula. É uma dor tranquila... Parece que foi esperada, entende? Mas não. Não era pras coisas terem acontecido dessa forma.

O arrependimento não mata como dizem. Mas ele estraga. E como estraga! Quem disse que devemos nos arrepender daquilo que deixamos de fazer, estava apenas parcialmente certo. Também estamos sujeitos a querer voltar atrás quando se trata daquilo que fizemos sem pensar. Você entende do que eu tô falando? Falo daquelas coisas que a gente faz porque parece ter levado um empurrão da vida — ou qualquer outra coisa que não se preocupa conosco — nos obrigando a fazê-la, sem perda de tempo. Esses tipos de arrependimentos podem doer mais do que qualquer outro.

E sim, eles podem estragar o seu presente. Falo isso porque tô passando por algo desse tipo. Algumas coisas que eu fiz na hora do frio na barriga, do "se não for agora não será nunca" estão trazendo consequências pra mim. E olha... Isso tá machucando mais do que eu esperava. E sabe o que mais dói? É saber que não, não dá pra voltar atrás e reverter tudo. Já quebrei a minha cabeça tentando encontrar uma forma de encaixar esses erros lá no fundo do baú, mas descobri que sempre terá alguém, curioso o suficiente, pra tirar tudo de lá de dentro. 

Foda mesmo é quando o curioso da vez é o menino mais incrível do mundo; a última pessoa que você esperava decepcionar na vida. E agora? Não são coisas fáceis de se esquecer, e eu nem posso exigir isso. Ele tem todo o direito de "levar em conta" todas as burradas que eu fiz e ter uma certa desconfiança. Mas, será que precisa ser tão rígido assim? Será que ninguém, além de mim, erra? E arrependimento? Ele conhece essa palavra? Não entendo porquê se regrar tanto... Me diz: porquê não levar em conta todas as coisas boas que eu tenho feito por "nós"? Se começou a gostar de mim assim, tão sem querer, porquê procura motivos pra mudar de ideia? Ah, são tantas as perguntas...

Pergunto-me, aliás, o motivo de perder tanto tempo pensando em como as coisas deveriam acontecer, ao invés de pensar numa forma de reconquistar o garoto por quem eu passo noites sem dormir. Ando tentando ser eu. Tentando fazê-lo amenizar todo esse meu passado ruim com a vontade de me descobrir realmente.

Mas quem garante que, se hoje não funciona, amanhã, tal esforço, compensará de alguma forma? Porém, a verdade é que eu tô pouco me fodendo pra isso. Estou disposta, sabe? Eu sei que ele vale a pena e não vou desistir tão fácil... A vida já trouxe arrependimento demais pra mim.

- Karla Reis. @karlarreis

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