Karla Reis

Karla Reis

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dear dream


Sinto a claridade que atravessa a janela bater nos meus olhos. Incomodada, abro-os e você está ali logo à minha frente. Após alguns minutos tentando me adaptar à luz do sol que invade o quarto, consigo perceber perfeitamente todos os detalhes do seu rosto. Seus olhos verdes, os dentes brancos e o lábio rosado sorrindo pra mim. Não há sensação melhor.

"Preparei-te um café." Você diz isso e logo em seguida sai em direção a cozinha. Posso sentir o cheiro das torradas quentinhas. Olho em volta do quarto e a nossa bagunça continua ali. Ao deitar novamente, sinto o seu cheiro sobre meu travesseiro. Começo a pensar nos mil motivos que teria para não estar ali, mas o único que permanece é o que me faz ficar. Gosto de você. Da cor clara que a sua pele tem, dos teus olhos verdes, do gosto de cigarro que fica na sua boca. E eu não trocaria aquele momento por nada.

Eis que você surge pela porta e traz nas mãos uma bandeja com chá branco e torradas quentinhas, do jeito que já havíamos planejado. Põe-a sobre a cama e senta-se ao meu lado. A delicadeza com que distribui o chá nas xícaras é irreparável. O sorriso ao dizer baixinho que havia acordado cedo só para ir ao mercado comprar o café-da-manhã pra me servir, e ainda ter voltado correndo só para poder me ver dormir, é o sorriso mais lindo do mundo. Impossível não gostar de você.

Quando terminamos de comer, você pega a bandeja e leva para cozinha. Decido levantar e fico parada na porta só observando o jeito como manuseia a louça ao lavá-la. Posso enxergar o sorriso no seu rosto pelo reflexo da janela. Será que estás tão feliz quanto eu? Não sei. Desde que nos conhecemos, pouca coisa consigo entender sobre você. Pouco sei dos teus gostos, manias, olhares. Enquanto você, ao olhar pra mim, decifra-me por inteiro. Parece impossível, mas é como se eu sentisse seu olhar estudando e analisando cada parte do meu corpo. Um calafrio que atravessa a espinha quando seus olhos me alcançam. Mas é um calafrio bom. Traz paz. Paz.

Ao perceber a minha presença logo ali, você vira e me convida para aproximar-me. Pega um pouco da espuma que tem nas mãos e passa no meu nariz. Rimos. Estamos em um lugar totalmente nosso. Não há restrições nem regras. Há apenas nós. Com o nosso jeito de entender as coisas, de aproveitar os momentos. E nada consegue descrever o quão bom é te ver ali, sorrindo pra mim. Você veio pra ficar? Dificílimo saber. Porém, já que estás aqui, não se vá. Não enquanto eu ainda estiver acordada.

- Karla Reis.

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