“Então você não me ama mais? — Perguntei com medo. Sempre tive medo de perguntas, prefiro responder a perguntar. E te perguntar isso me dava arrepios, minha barriga agora era como um dos pólos dentro de mim. Minhas mãos suando. Não responda, não responda que deixou. Eu pensava, pensava e desejava. Minha vida não acabaria se você deixasse de amar, não iria, mas parte de mim iria se esvair. Eu iria perder o rumo, como se alguém desse uma pancada e eu perdesse a consciência. Isso Eu perderia a consciência, e seria até melhor perder a consciência do que ver que deixaste de me amar. Ou será que nunca amou? Eu deveria me preocupar menos e esquecer, mas martelava sem parar, martela sem parar. Coração na boca, conhece essa expressão? O meu estava na boca, eu havia me engasgado com o meu coração e com esse amor. Eu havia engasgado de tanto amá-lo. Silenciei-me e voltaram os pensamentos, os desejos — Me ama, me ame sempre. Droga, não responda, fiquem em silencio, sai correndo. Não responda. Não, não e não. Aliás responda, responda com um sorriso nos lábios e nos olhos e diga que me ama, ande fale ou melhor demonstre. Não faça nada, não responda. — Eu preciso de ar. Ânsia de vomito, nervosismo. Acho que se eu vomitasse agora iria me odiar pra sempre. Tenho certeza. Você todo correto e com essa mania de limpeza que afasta as pessoas. Essa doença higiênica que é mais uma praga e precisa ser tratada. Ama ou não? Preferia que essa pergunta tivesse sido feita à mim, eu responderia com a boca cheia, mas ainda assim com o coração na boca e as mãos suando. Responderia, iria dizer cada motivo de amar você, iria responder que amo e sempre amei — Amo seu cabelo atrapalhado, iria dizer que seu sorriso é o mais bonito. Iria dizer sim, eu te amo e até seus defeitos amo. Amo quando odeio você, é eu odeio você as vezes. Odeio quando você me afasta e depois me culpa, odeio mesmo. Mas eu amo você mais do que odeio. Eu te amo e te amo demais. — Mas eu que fiz a pergunta, perguntei pois sentia um distanciamento nas palavras uma falta de entrega, você passou a fugir dos meus acalentos. Você foge de mim. Arrependi-me, posso voltar no tempo? Posso Deus? Deus, você não faz desejos não é? Droga… Aladim me empresta o gênio da lâmpada? Ele tem que me amar. Esquece o que eu perguntei, mas então como anda os estudos? Meu Deus, eu tenho medo das respostas. Merda, grande merda esse meu medo, essa minha mania de correr das respostas ruins e até mesmo das boas. Se não me amar eu tento esquecer, eu ligo a televisão e assisto o noticiário, faço alguma coisa no cabelo. Se ele não me amar, eu me culpo e tento acha os meus vários defeitos. Se ele não me amar, ah se ele não me amar é sinal que não fui suficiente. Se ele não me amar é problema dele. Clama — Disse mais de duas vezes. Eu preciso ter calma. Eu sentei-me do seu lado e olhei em seus olhos e perguntei novamente, com um sentimento de torturada envolvido por coragem e uma tamanha vontade de sumir — Você me ama? Ou nunca amou? — Riu, olhou-me intensamente, tensamente estava eu com o medo da resposta e disse — Idiota — Não sabia o que se passava, idiota? Tudo bem, assumo minha idiotice, mas eu perguntei se me amava não o que achava de mim. Ele não me amava, levantei-me e dei as costas, em direção a porta ele diz — Eu te amo! — Parei, ainda de costas, sorri com os olhos repletos de lágrimas. Corri até seus braços. Ele me ama, eu o amo. A gente se ama. Sofri por antecedência, como de costume. Ama, não precisei de gênio da lâmpada. Deus foi você? Deus… Eu te amo Deus, amo ele. Sentei-me ele veio e segurou minha mão e disse — Nunca vou deixar de amar.”
- Lucas Rodrigues, LR.
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