Karla Reis

Karla Reis

quarta-feira, 6 de julho de 2011

In(justiça).

          Insano amor era pouco demais para nós. Ele era daqueles de dizer o que queria na cara de quem devia. Daqueles que viajam o mundo todo atrás de "vida nova", ele parecia mudar de país a cada mês. E eu gostava disso nele. Do modo como ele fazia das músicas a sua vida. Do modo como ele sorria, de como era carinhoso com as pessoas, exatamente do jeito que fossem. E para onde ele fosse, me levava consigo; Para viver a vida intensamente.

          O conheci num bar e provavelmente irei esquecê-lo em um. Ele que libertou-me do lado comum de viver, quebrou todas as regras da minha rotina. Deu um novo tom cor-de-rosa ao que tinha tornado-se cinza. Certo dia, pegou-me pelas mãos, disposto a levar-me para viajar o mundo inteiro, conhecer vários lugares. Um convite inesperado do qual eu não pude recusar. Ele me encantou tão profundamente que fez-me reavivar um dos meus maiores medos: o de ser abandonada. Afinal, todos sabemos como é. Não há pai, mãe e nem um outro parente que possamos recorrer quando nos sentimos assim, abandonada. Vivendo por si só, carregada daquela sensação de ser autoinsuficiente. E nessa queda de estima, ele me resgatou. Mostrou-me que o sol continua a brilhar mesmo com tantas nuvens na frente.

          Fui com ele. Os dias se passavam e eu ia me acomodando cada vez mais com sua presença confortadora, que a cada dia mostrava-me um novo homem. Talvez eu dormisse com vários homem em uma semana num mesmo corpo. Ele sabia me satisfazer. Em todos os sentidos, eu falo. Financeiro, emocional, sexual. Dizer que ele era perfeito seria exagero. Ele era irritantemente diferente. Opiniões e conceitos que me estressavam, mas que me fazia ver os vários lados de certos temas. Lados bons ou ruins. Consegui me abrir para novas ideias.

          Conforme viajávamos, connhecíamos novas pessoas, com experiências também diferentes das nossas. Ao perguntarem "Você é o que dele?" Eu ficava sem responde. Ele nunca deixou claro o que eu era dele. E eu nunca me importei com isso. Não sentíamos necessidade de nos afirmar como namorados ou algo do tipo. Apenas demonstrávamos o que sentíamos com gestou. Belos gestos. "Vocês pretendem se casar?" Não. Disso eu tinha certeza. Casamento é um compromisso muito sério para duas pessoas despreocupadas com o futuro. Formávamos um par perfeito, mas a eternidade só pertencia ao tempo. Duas alianças não mudariam isso.

          "E o "amar para sempre"... vocês pretendem?" E nessa pergunta todos me deixavam sem o que responder. Eu olhava para todos os lados e me supreedia com ele e sua facilidade de mudar a personalidade. Confesso que isso me assustava, me alegrava e ao mesmo tempo provocava-me o medo de ser abandonada por uma pessoa capaz de completar do jeito como ele fazia.

          E por fim foi isso o que aconteceu. Só isso. Era o que tinha que ser, afinal. Relembro todos os nossos momentos em minha mente como se tudo fosse real, como se eu pudesse sentir o teu cheiro e tocar no seu rosto sentindo aquela barba mal-feita me incomodando. A paz que ele transmitia era para poucos. Tamvez eu pertencesse mesmo às lembranças. E ele à conformidade. E ele cumpriu o que eu sempre costumava dizer: "Você é demais para esse mundo todo." Ele tinha algo realmente especial, guardado dentro de si. E Deus — ou morte, ou qualquer outra coisa que você queira chamar — o levou do mundo.

          E de mim.

- Karla reis.

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