Karla Reis

Karla Reis

sábado, 2 de julho de 2011

          Cheguei a pensar que não precisasse de mais ninguém. Ela deu-me todo o conforto enquanto estava viva. Conhecia-me melhor do que a mim mesmo, e sabia segredos meus que eu havia jogado no fundo do poço e esquecido completamente. Ela havia quebrado todas as regras para uma boa amizade, e mesmo assim conseguia fazer com que fossemos perfeitamente felizes.

          Reecontrávamo-nos uma na outra de um modo sem igual. Ela deu-me outros olhos para enxergar a vida, e eu, cautelosamente retribuía todo esse amor com pequenos e singelos sorrisos que ela deixava bem claro ser o suficiente. Mais do que amigas, éramos irmãs e abríamos mão de tudo para estarmos juntas. Afinal, só assim conseguíamos decifrar o sentido de coisas indecifráveis e achar respostas para todos os porquês que a vida punha em nosso caminho. Até que a morte chegou na nossa vida. Abriu as portas e friamente levou-a de mim. Fiquei só. Respirei fundo e tentei, com todas as forças que ela me dera com o tempo, não chorar. Eu não me permitia esse tipo de coisa. Mas aquele dia, eu abri excessões para tudo.

          Dói-me ter que lembrar disso. Eu havia me aconchegado, me acostumado, tornado-me uma eterna dependente dela. E ela uma gigantesca parte de mim.

          De repente, encontrei-me novamente só. Nesse imenso corredor escuro com a saída fora de alcance, que todo mundo costuma chamar de vida. Tive de voltar a realidade e enfrentar sozinha os vários obstáculos que antes, tornavam-se simples quando ela estava do meu lado.

          Tive que aprender a usar da minha sabedoria para construir a merecida felicidade. Usei do meu próprio suor para conseguir me reerguer sem minha amiga comigo. E, conforme o passar dos dias, tudo foi se tornando mais claro. E eu fui reeconstruindo minhas forças. Porque mesmo longe eu sabia que ela estaria do meu lado. Afinal, amigos vêm e vão, mas melhores amigos são para sempre.

          E foi quando a vida me mostrou que eu não estava sozinha, que eu descobri em mim algo que nenhuma amiga pode me dar: amor próprio.

- Karla reis!

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