Karla Reis

Karla Reis

domingo, 22 de maio de 2011

Duas garotas perdidas na noite. Não sabem disso. Chegam ao ponto de ônibus com copos de plástico na mão, depois da faculdade, gargalham alto e tentam abafar o som, carregam bolsas pesadas nos ombros. Drogadas ou bêbadas... que diferença faz? Deve ser vodca no copo. Deve ser histeria na mente. Na vala comum. Falam de amantes, lugares e erros. Falam de morte. Luto para passar pelo corredor e chegar ao banheiro, nas sextas. Elas duas sentadas no chão do ônibus, um brilho absurdo emanando dos olhos, dentes brancos perfeitos e expostos. Não oferecem companhia. Apenas pedem para alguém abrir a porta para mim. Não voltam para casa naquela noite. Nem na próxima. Nunca voltam.
Sorrisos que choram.
Lágrimas que sorriem.
É ironia falar da incoerência.
Tudo é engraçado se tem algum sentido. Vai ver que é por isso que eu não acho graça em nada.

- Thaís Zimmer Martins.

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