Karla Reis

Karla Reis

sábado, 23 de abril de 2011

Um elo entre o sonho e a realidade.



          Encaixes perfeitos de personalidade, corpo e alma. Ambos se completavam de uma forma intensa e encantadora. A forma como ele a olhava arrancava sorrisos dela que o deixavam envergonhado. Os dois era tão acostumados com a solidão, que fizeram dela um modo para estarem juntos, se aproximarem. Nunca tiveram muitos amigos e amores, pelo contrário; Eram quietos, reprimidos e preferiam cafés e livros à uma boa festa com pessoas vazias que bebiam até o nascer do sol. Quando se cruzaram seus olhares se identificaram logo de cara. Tinham sido feitos uma para o outro.

          Uma casa confortável com piso de madeira, uma estante com livros, café, chá, contas em dia, um jornal entregue toda manhã, papéis para escrever e um gato. Perfeito. Essa era a vida deles, e não precisavam de mais nada. Os dois se completavam na hora do sexo, do amor. A forma com que ele a pegava pelo cabelo era perfeita para a forma como ele a segurava contra o seu corpo. Brigas eram normais como acontece com todo casal, mas os dois tinham maturidade suficiente para lidar com elas. Elas aqueciam o relacionamento de alguma forma. Eles se amavam.

          O clima agradável para ambos era o frio, que tornava o local ótimo para passar horas aquecidos em frente à lareira, agarrados. Tinham a vida casa que sempre desejaram e o passado dos dois pareciam perfeitamente igual. Eles dormiam contando histórias ou lendo livros um para o outro. Era realmente romântico.

          O gosto literário, musical, artesanal e vários outros era o mesmo, ou ao menos parecido. Ela tocava seu piano maravilhosamente bem enquanto ele tocava seu violão de uma forma perfeita. Quem os via de longe provavelmente pensaria que a rotina dos dois era cansativa, mas a química que ocorria entre seus corpos era tão intensa que a ideia de, um dia, aquele relacionamento ficar chato nem passava pela cabeça deles. Só eles sabiam o tamanho do amor existente entre ambos. E isso era o suficiente.

          Esse era o modo que preferiam viver: na monotonia confortável de uma uma vida que, para eles era eterna. Não se preocupavam com o amanhã; tento um ao outro, o presente era apenas o que importava. Eles eram como o calor e o fogo, o frio e o gelo. E assim pretendiam morrer. Juntos.

          "A eternidade ainda é pouco para nós."

- Karla Reis.

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